Cinco Passeios Românticos em BH para um Fim de Semana

Esse ano o dia dos namorados caiu no meio da semana. Mas isso não é problema, certo? Afinal de contas os fins de semana estão ai para fazermos passeios românticos independentemente de datas comemorativas. Eu morro de preguiça, por exemplo, quando escuto as pessoas dizerem que aqui em BH não tem nada para fazer. Do mesmo modo, tenho também um pé atrás quando as pessoas dizem que programa de casal precisa estar atrelado a comida. Passeios românticos tem muitas facetas. Dentre elas também a gastronômica, mas não só. Acompanhem aqui cinco dicas de passeios românticos que moram no meu coração nessa BH que eu tanto amo!

BH vista da sacada de casa

Passeios Românticos em BH

Vocês sabiam que Belo Horizonte tem o apelido de Cidade Jardim? A alcunha veio porque o projeto da capital mineira previa um grande número de áreas verdes e vias arborizadas. Pretendia-se assim que a cidade tivesse um equilíbrio entre a paisagem urbana e a natureza. Apesar de BH ter crescido, ela continua linda e seus belos jardins deixam nossos passeios românticos ainda mais especiais.

Jardim frontal do Museu de Arte da Pampulha – Escultura em Bronze de José Alves Pedrosa

BH, apesar de ser uma cidade grande, tem um arzinho interiorano que exala de seus bairros mais antigos e das pessoas que andam nas ruas e se conhecem. E vocês acham que isso é demérito? Que nada! Ser interiorana com as facilidades da cidade grande faz de BH um dos melhores lugares para se viver. E não é só de morar não! Belo Horizonte, com toda certeza, é uma cidade mágica para se viver um grande amor!

Por causa dessa atmosfera romântica de BH, minha ideia hoje é que vocês não saiam do perímetro urbano para fazerem um passeio romântico. Quero, portanto, que vocês curtam muito os cantinhos fofos e mal explorados de BH. Vocês vão passear por Belo Horizonte com seus belos jardins, seus museus, espaços culturais e sim, ok, bons restaurantes também. Vamos lá?

Árvore na entrada do Museu Histórico Abílio Barreto

Lagoa da Pampulha em frente à casa de Kubitschek

Praça da Liberdade

A Praça da Liberdade para mim é um ícone de Belo Horizonte. Sendo assim, parece-me quase obrigatório colocá-la em uma listinha de passeios românticos para se fazer por aqui.

Ela foi construída em 1903 e seus jardins ficaram prontos somente em 1905. No entanto, a aparência que remete aos jardins do Palácio de Versailles veio mais tarde, em 1920, quando ela foi reformada para receber a visita do dos reis da Bélgica.

O seu projeto paisagístico traz além dos jardins, um coreto, várias estátuas em mármore Carrara e fontes. Ela é todinha cortada por uma dupla fileira de Palmeiras Imperiais e no seu entorno há construções de referências arquitetônicas variadas que um dia já foram a sede do Governo do Estado de Minas Gerais.

Hoje, esses prédios foram transformados em centros culturais. Isso faz, portanto, com que o passeio pela Praça seja ainda mais gostoso. Temos assim mais lugares legais para explorar e a entrada em todos eles é gratuita! O cenário desse primeiro dos passeios românticos que estou indicando aqui foi tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico de MG na década de 1970.

O que fazer

Mas afinal o que temos para fazer na praça? Bom, esse é um dos passeios românticos na cidade que podem durar, por exemplo, o dia todo se vocês quiserem. Comecem de manhã, com uma caminhada gostosa. Dá para parar um pouco, sentar nos banquinhos, respirar com calma, curtir namoro, bater papo.

Depois vocês podem escolher um dos centros culturais do entorno e fazer um passeio bacana. O CCBB-BH sempre tem uma mostra que vale a pena a visita.

Depois, vocês podem escolher um restaurante no entorno da praça para almoçar ou fazer um lanche rápido. O Xodó é um clássico, principalmente o milk shake. Mas dentro do CCBB tem o Café Com Letras que tem um cardápio delicioso, estão lembrados de quando falei deles aqui no blog? Por fim, vocês podem curtir um cineminha ali no Cine Belas Artes e terminar a noite bebendo um vinho lá no Pizza Sur, lugarzinho romântico que já deu as caras aqui pelo blog também!

As escadas do CCBB

Praça da Estação

Sou suspeita para falar deste lugar. Eu simplesmente amo a Praça da Estação, apesar de muita gente aqui em BH achar que lá seja um lugar perigoso. Sim, o segundo dos passeios românticos que estou sugerindo aqui fica bem no centrão de BH. Sim, a gente precisa ter cuidado ao andar por essas regiões. É que o excesso de aglomeração pode levar a confusões. Mas nos fins de semana essa região fica mais tranquila. Guardados os devidos cuidados que temos que tomar no centro da cidade, lugares assim podem sim ser palco de passeios românticos de mãos dadas.

Minha História com a Praça

Eu tenho um histórico com essa praça. É que em 2005, quando me casei, eu disse para o Rodney Costa, ex-professor de fotografia e fotógrafo do meu casório, que queria fazer minhas fotos ali. O centrão de BH tinha acabado de passar por um processo de revitalização. Apesar de eu sempre ter sido meio medrosa com a região, as cores do edifício da Estação me encantaram.

Gente, nada como ter 20 anos de idade, não é não? Prestem atenção na situação: era uma tarde de segunda-feira e eu era a noiva de vermelho. Imaginem aquele lugar apinhado de gente às 17h. Agora imaginem eu lá, absoluta e plena, fazendo as fotos para o meu álbum de casamento. Sim, aquele é um lugar romântico para mim. E se vocês olharem com calma para o prédio da Estação verão o quão especial ele é.

Foto Bernardo Gouvêa

Para quem não sabe, a Praça da Estação na verdade chama-se Praça Rui Barbosa. Lá foi onde tudo começou para BH. Em 1894, cinco anos depois da Proclamação da República do Brasil, foi instalada ali a Comissão Construtora da Nova Capital de Minas Gerais. O início da construção de BH ficou simbolizado com a cravação da estaca zero do ramal férreo de ligação com a Estrada de Ferro Central do Brasil. Era Belo Horizonte começando a se ligar ao resto do país! Por ter sido o ponto de conexão de BH, o lugar acabou se tornando uma referência urbana importante. Por ali as pessoas chegavam e saiam da capital e muitos vinham para sanar a curiosidade de conhecer a inovadora arquitetura dessa cidade que acabava de nascer e que era, então, uma referência para o resto do país.

O que fazer

Vocês então me perguntam: mas e ai o que tem para fazer por lá? Pois bem, vocês vão ao prédio da Estação, a entrada aqui também é gratuita. É que ali funciona um dos museus mais legais de BH: O Museu de Artes e Ofícios. Lá é um espaço cultural que foi pensado para difundir a história do trabalho, das artes e dos ofícios no Brasil. Ele conta a história de dezenas atividades profissionais que deram origem à indústria de MG. Instrumentos, utensílios, ferramentas, máquinas, equipamentos e tudo mais que vocês imaginarem que esteja dentro desse universo está lá. São mais de 2,5 mil peças originais que datam entre os séculos XVIII e XX.

Foto de divulgação

Depois que vocês rodarem o museu, vocês podem sentar lá dentro mesmo para tomar um café. Ou então vocês podem sair, atravessar a Avenida dos Andradas e entrar na Santos Dumont.

De um lado vocês terão o Cine Cento e Quatro, que é outro espaço cultural lindíssimo e cheio de eventos legais na programação. E do outro lado vocês terão a Bagueteria Francesa, uma das melhores padarias de BH. Se forem à Bagueteria, se esbaldem comprando várias delícias para levarem para casa. Para mim esse é um jeito maravilhoso de terminar esse passeio romântico. A boca até enche de água quando penso naqueles pães! E cá entre nós: nada melhor do que terminar um dia feliz em casa bebendo um vinho em boa companhia!

Museu Histórico Abílio Barreto

Nem vale reclamar porque estou mandando vocês para museus hoje! Olha só, gente: museus são lugares românticos, e aqui em BH eles estão entre os passeios românticos mais legais da cidade! Se lá em cima vocês passearam no lugar onde foi cravada a pedra fundamental da construção de BH, agora vocês vão visitar o limite da cidade. É que ali, onde hoje está o Museu Histórico Abílio Barreto era o ponto onde a cidade de Belo Horizonte terminava. Vocês sabem que BH era somente o que existia dentro da Avenida do Contorno, não é?

Aquela construção era a sede da Fazenda do Leitão, que foi desapropriada pela comissão construtora da capital. Desde então ela foi utilizada para os mais variados propósitos, até que finalmente tornou-se o Museu da Cidade. Por ali passava ainda o córrego do Leitão, que a gente não vê mais porque ele foi coberto por asfalto. A Prudente de Moraes em dias de chuva que o diga! Assim que chove, a avenida se lembra da canalização do córrego e inunda! Pois é… BH é linda, tem suas flores, no entanto, nem tudo são flores!

O Acervo

O acervo do museu é sensacional! A começar pelo casarão do século XIX. Junto a ele, lá do lado de fora temos um bonde elétrico e uma locomotiva a vapor que chamam bastante atenção logo na chegada. 

Fora isso, eles têm uma extensa pinacoteca, esculturas, objetos decorativos e fragmentos construtivos vindos de prédios públicos e privados que foram demolidos. O acervo conta também com mobiliário, vestuário, utensílios domésticos e de uso pessoal, objetos de iluminação e de transporte, equipamentos e instrumentos de trabalho.

Além desses objetos, o museu tem um sem número de textos, impressos, manuscritos, mapas, plantas e projetos arquitetônicos. As fotografias também são parte importante deste acervo . Eles têm negativos em acetato e vidro, cópias em papel e material digital que vão desde 1894 até os anos mais recentes. Tudo somado deve dar mais de 20 mil itens que contam a história do desenvolvimento urbano e de eventos e costumes aqui de BH.

Escadas na área externa do casarão

Querem mais? Pensem então em um lugar onde vocês vão encontrar livros, periódicos, catálogos, fitas de vídeo, dissertações e recortes de jornal onde de alguma forma a história de Belo Horizonte é contada! Pois é, esse lugar é o Museu Histórico Abílio Barreto. Todo esse acervo fica dentro do casarão, do prédio anexo ao museu, que foi construído em 1998 e também na Casa Kubitschek, sobre a qual falarei nos próximos passeios românticos que indicarei aqui neste post.

O que fazer

Bom, não preciso nem dizer que tudo isso ai que elenquei acima já dão um passeio e tanto, não é? Mas sabem o que é o melhor de tudo? É que vocês não precisam fazer nada com pressa. O que acho mais gostoso deste museu é o fato dele estar ali, no meio do bafafá da cidade e ao mesmo tempo parecer que não está no meio daquilo tudo. A Avenida Prudente de Morais está lá embaixo, movimentada… e vocês estão ali, quietinhos e felizes sentados no banquinho namorando… o que pode existir de melhor do que isso?

Pois bem… sentar neste banquinho ai para namorar é bom. Mas eu tenho algo melhor ainda para sugerir dentro do museu. É que lá no prédio novo, se vocês subirem um andar, vocês encontrarão um lugar encantador onde poderão almoçar, jantar ou só ficar nas entradas bebendo um bom vinho! O Museu Abílio Barreto abriga um dos melhores restaurantes de comida portuguesa de BH, o Caravela. Então, depois de absorver tanta cultura e história, um bom vinho, uma boa comida e uma boa companhia cairão bem, não acham? Passeio romântico fechado com chave de ouro! Ah! Já estava me esquecendo de dizer: aqui a entrada também é gratuita!

Foto de divulgação

Pampulha – Lado A

Pois é, gente! Eu pensei em deixar a Pampulha somente em uma colocação aqui na lista, mas isso não é possível. É que o perímetro da lagoa tem 18 km e em seu entorno há muito a se fazer.

Então, de um lado a programação é uma, do outro lado temos outra gama de coisas legais para se fazer. Sendo assim, estou colocando aqui a Pampulha como “Lado A” e “Lado B” para dar a vocês dois passeios românticos bem legais na região.

Vou chamar de Lado A a região da Lagoa que fica ali pertinho da Igrejinha de São Francisco de Assis, o Mineirão, o Mineirinho, o Parque Guanabara, a Casa de JK, chegando até a Casa do Baile.

Vou chamar de Lado B da Lagoa o local onde está o Museu de Arte da Pampulha.

Se quiséssemos poderíamos também categorizar o “Lado C” da Lagoa. É que se pegarmos aquela parte onde está a Toca da Raposa, o Zoológico e o Parque Ecológico da Pampulha temos mais uma região bem bacana com ótimas opções de passeio. Mas, como hoje quero dar cinco dicas de passeios românticos em BH, vou deixar o lado C para um outro post, combinados?

By Sudhertzen - Own work, CC BY-SA 4.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=55781559

Lado A

Esse passeio pelo Lado A da lagoa é algo que faço com certa frequência. É que gosto muito de fazer caminhadas e sempre depois dos exercícios eu emendo algum programinha por ali mesmo. Já falei aqui no blog sobre meu carinho com a Igrejinha da Pampulha, não é? Lá é sem dúvida alguma um lugarzinho romântico que vale a visita, embora agora esteja fechada para reformas.

Geralmente as minhas caminhadas saem da Igrejinha e chegam até a Toca da Raposa. De lá eu volto para não ficar extensa demais. Por vezes escolho seguir o outro lado. Vou caminhando até a Casa do Baile e depois volto para a Igrejinha. Em ambos trajetos encontramos lugares muito especiais que valem uma parada no meio da caminhada.

Museu Brasileiro do Futebol – Mineirão

Ir ao Mineirão sempre foi algo bem gostoso de se fazer. Ali na Esplanada do estádio há bastante espaço tanto para uma caminhada, quanto para a prática de esportes como skate, bicicleta e patinação. Então, os casais que curtem se exercitar juntos vão encontrar ali um lugar bem propício para isso. Mas, se além de amar esportes vocês são do tipo que ama futebol, não podem deixar de dar um pulinho no Museu Brasileiro do Futebol.

Foto Paulo JC Nogueira

Ele foi aberto em 2013 e traz em seu acervo artefatos materiais e imateriais do futebol brasileiro. A ideia é mergulhar neste mundo futebolístico ao longo das 13 salas de exposições do museu. Logo na entrada há uma sala de leitura voltada para literatura infanto-juvenil ligada ao esporte. Depois as salas abordam temáticas que vão desde a relação de BH com campos de futebol, começando nos tempos da construção da cidade, passando pela construção e inauguração do Mineirão, a história do futebol e seus grandes nomes.

Foto de divulgação

E ai? Animaram com o passeio? A entrada no museu custa R$20,00 a inteira e meia entrada para as categorias previstas por lei. Ahh não se esqueçam de lá na “Sala da Memória” deixarem registrados os depoimentos de vocês sobre as suas experiências no Mineirão! Eu, por exemplo, não me esqueço de ter ido ver o meu Galo jogar contra o Milan em 1997 na Copa Centenário de BH! Quem mais se lembra disso?

Casa de Juscelino Kubitschek

O passeio no Museu Brasileiro do Futebol é muito legal. Porém, se vocês quiserem curtir uma caminhada na orla da Lagoa com uma paradinha cultural mais voltada para as vibes modernistas da região, então minha dica é seguir para a casa de Juscelino Kubitschek. Saiam da Igreja de São Francisco de Assis e sigam à direita de quem está de costas para a igrejinha. Rapidinho vocês vão avistar a Casa de JK. Lá é uma extensão do acervo do Museu Histórico, mas o enfoque do local é contar um pouquinho a história da Pampulha e também mostrar como era uma casa modernista dos anos 1940, 1950 e 1960.

Ela foi projetada em 1943 por Oscar Niemeyer e teve o projeto paisagístico feito por Burle Marx. A ideia da casa é que ela seria uma residência de fim de semana para o então prefeito de BH Juscelino Kubitschek. Logo de cara ficamos maravilhados com o jardim frontal da casa. O telhado da construção também chama atenção: é em formato de asa de borboleta.

De residência a museu

Ela serviu como residência da família Kubitschek até 1945. Em 1956, quando Juscelino se mudou para o Rio de Janeiro, ela foi vendida para um casal de amigos: Joubert e Juracy Guerra. Eles mantiveram a casa, os móveis e todas as suas características bem preservadas. Joubert Guerra morreu em 1977 e a sua esposa Juracy morou no imóvel até 2004, quando faleceu.

Em 2005 os herdeiros assinaram o Termo de Desapropriação e transferiram o imóvel à Prefeitura de BH. Foi quando iniciaram as obras de restauração e adaptação do espaço para a instalação do Museu, que foi inaugurado em 2013. Todo esse processo de reforma foi acompanhado de perto por Niemeyer, que viria a falecer um ano antes da inauguração do Museu. Isso fez com que a casa realmente mantivesse o projeto original.

O Mirante Bandeirantes

Depois que vocês rodarem toda a casa, se deleitarem com a vista da janela da sala e com os jardins dos fundos da casa, atravessem a rua e visitem também o Mirante Bandeirantes, na Orla da Lagoa. Ele foi reinaugurado em 2016 após um processo de revitalização. Ele ganhou novos bancos, iluminação e lindíssimas esculturas em tamanho real de JK, Oscar Niemeyer, Cândido Portinari e Burle Marx, feitas pela artista Vânia Braga. A ideia era retratar os principais responsáveis pelo projeto arquitetônico da Pampulha, que vale lembrar, hoje é Patrimônio Cultural da Humanidade, título conferido pela UNESCO.

Foto de divulgação

Casa do Baile

A Casa do JK fica à direita de quem está de costas para a Igrejinha. Já a Casa do Baile fica à esquerda. A caminhada aqui é um pouco maior, vocês vão passar pelo Mineirão, pelo Mineirinho e também pelo Iate Tennis Club. Então, se der preguiça de ir andando, peguem o carro. Nas ruas próximas à Casa do Baile é fácil estacionar. Para mim esse é um dos lugares mais charmosos dentre esses passeios românticos todos que estou sugerindo na Pampulha. Em especial, gente, aconselho fortemente que vocês cheguem ali de tardinha, mais perto do por-do-sol. Aproveitem a vista tomando um drink, um vinho ou um café.

A Casa do Baile foi inaugurada em 1943 e está em cima de uma pequena ilha artificial ligada à orla da Lagoa por uma ponte de concreto. A ideia inicial era que ela abrigasse um pequeno restaurante, um salão com mesas, pista de dança, cozinhas e banheiros. A Casa seria, então, um espaço de lazer e entretenimento para as noites de BH. Ela foi palco de várias atividades musicais e dançantes frequentadas pela sociedade mineira.

As noites por lá eram bastante animadas, mas a proibição de jogos de azar no Brasil de 1946 interferiram no bom andamento dos negócios por lá também. O Cassino, atual Museu de Arte da Pampulha, encerrou as suas atividades em 1946. A Casa do Baile resistiu mais dois anos, mas em 1948 ela também fechou. Dai pra frente a casa ficou sob a administração da Prefeitura e foi usada para inúmeros fins comerciais. Nos anos 1980 ela funcionou como um anexo do Museu de Arte da Pampulha, foi também um restaurante e acabou sendo outra vez fechada.

A Casa do Baile Hoje

Em 2002 a Casa do Baile foi revitalizada sob a coordenação do próprio Niemeyer. Ela ganhou novos sistemas de climatização e iluminação. Os jardins também foram reformados dentro do projeto paisagístico de Burle Marx. Foi nessa ocasião que a Casa do Baile passou a abrigar o Centro de Referência de Urbanismo, Arquitetura e Design, ligado à Fundação Municipal de Cultura.

Lá vocês verão exposições temporárias, divulgações de publicações, pequenos seminários, encontros e eventos ligados ao urbanismo, arquitetura e design. Fora isso, lá também abriga de Terça a Domingo o Café do Baile lugarzinho super especial onde vocês poderão se sentar, bebericar alguma coisa enquanto admiram a bela paisagem do local. Aconselho fortemente uma bebidinha quente ou um vinho. Nesta época do ano e sugiro que vocês levem uma blusinha de frio: no cair da tarde a coisa pode esfriar bastante. É ou não é uma boa ideia?

Pampulha – Lado B

Vou terminar essa saga pelos passeios românticos aqui em BH falando do lado B da Lagoa da Pampulha. Esse lado B, como já disse, é aquela área ali onde está o Museu de Arte da Pampulha, antigo Cassino. Eu gosto muito de ir ao Museu também para usá-lo como ponto de referência em minhas caminhadas pela Lagoa. Deixo meu carro ali nas imediações, faço minha caminhada, volto e ai aproveito para passear lá dentro e vez ou outra também tirar fotos.

Para quem não sabe, o Cassino foi o primeiro prédio do Conjunto Arquitetônico da Pampulha a ficar pronto. Ele foi inaugurado em 16 de maio de 1943. O projeto foi de Oscar Niemeyer e o paisagismo de Burle Marx. Ele foi o primeiro e único cassino da cidade e acabou na época atraindo para BH jogadores do Brasil inteiro.

A vida noturna da pacata capital mineira mudou drasticamente com isso. O cassino era administrado por Joaquim Rolla, responsável também pelos cassinos da Urca, no Rio, e o do Palácio Quitandinha, em Petrópolis. Rolla trouxe então para BH várias atrações e shows musicais internacionais de peso. Perguntando daqui e dali acabei descobrindo que passaram por aqui a soprano colatura peruana Yma Sumac, a estrela húngara de cinema Ilona Massey, Ray Ventura e seus Colegiais, Aurora Miranda dentre outros nomes.

De Cassino a Museu

A alegria, no entanto, durou pouco. Em 1946 Eurico Gaspar Dutra, então presidente do Brasil, proibiu os jogos de azar em todo território nacional, obrigando Rolla a fechar todos os seus cassinos, incluso o da Pampulha. Foi pouco mais de 10 anos depois, em 1957, que o antigo Cassino passou a ser o Museu de Arte da Pampulha. Na época ele era conhecido como o “Palácio de Cristal”.

passeios românticos

Escultura em bronze de José Alves Pedrosa

Além dos belos jardins de Burle Marx, o Museu conta com três esculturas belíssimas em seu exterior: uma de Ceschiatti, outra de Zamoyski e a outra de José Pedrosa. O museu passou por um processo de revitalização e foi reaberto ao público. De terça a domingo a gente pode chegar lá e visitá-lo com direito a guias contando a história do lugar e tudo mais. A entrada é gratuita! Depois do passeio vocês podem parar no Café do Museu e bebericar algo enquanto admiram as belas vistas do local.

Escultura “Nu” de August Zamoyski.

E ai? Vão animar fazer algum desses passeios românticos que indiquei aqui? São cinco passeios românticos, ou seja: um por final de semana ao longo de pouco mais de um mês! Aproveitem bastante agora esse mês de férias e curtam bastante a companhia um do outro!

Até a próxima!

About Nicole Delucca Linhares

Uma jornalista obcecada pelo lado bom da vida que está sempre em busca de experiências românticas para dividir com o mundo. Apaixonada por comidinhas, pores-do-sol, plantas, livros, cinema, viagens e teatro. É também professora de italiano, cozinheira para todas as horas, filosofa de boteco e, por fim, uma mistura doida de Minas, Itália e Piauí!

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